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Bom Dia

Já faz um tempo, comecei à escrever sobre o tratamento que vinha fazendo para cuidar de minha tireoide (veja aqui) que sofria de um hipotireoidismo1 mas, em seguida, interrompi e não postei mais nenhum outro artigo sobre o assunto.

A verdade é que eu estava muito cansada e sem energia para o que quer que fosse e até mesmo vir aqui, escrever os textos e me ocupar do blog parecia algo muito difícil (pois me consumia muita energia) e acabei deixando de lado.

Naquele momento, eu me lembro de pensar constantemente: Estou muito cansada. E cansada talvez seja uma palavra amena; eu estava era exausta mesmo! Pessoalmente, esse cansaço não é um cansaço como alguém que corre, faz muito exercício físico, faz uma atividade qualquer, trabalhe um dia inteiro etc e depois sente-se cansado… Não, é um cansaço diferente, constante e pesado, onde sua cabeça funciona mas seu corpo não obedece pois está sem energia para fazer o que quer que seja. No meu caso, eu sentia como se uma placa de chumbo estivesse constantemente sobre mim e eu a arrastava durante todo o dia que, por conta disso,  parecia interminável!2

Como expliquei no artigo anterior, eu optei por um tratamento natural – aqui no caso, com o acompanhamento de uma naturopata hildegardiana (Laurence Mayaud). Claro, eu sabia que não "ficaria boa" de uma hora para outra pois o tratamento natural, em geral, leva mais tempo para agir mas eu também não queria continuar dependente de um remédio pelo resto de minha vida. Além disso, eu também desejava que minha tireoide funcionasse por ela mesma e não ficasse em "estado de coma", enquanto hormônios artificias fizessem seu trabalho.3 

Veja bem, não estou criticando aqui os tratamentos alopáticos! De maneira alguma, pois reconheço que eles também têm seu mérito e sua função e podem tanto ajudar no tratamento e na cura de diversos casos médicos existentes. Além disso, há pessoas que “funcionam” melhor com certos tratamentos do que outros. Contudo, acredito que temos recursos naturais e mais saudáveis para lidar com problemas e doenças que podem ser tratados ou remediados tendo por base uma alimentação sadia e em seguida, o uso de plantas e remédios naturais que podem beneficiar o organismo e consequentemente, a saúde, sem precisar agredi-la para isso.

Claro que para tudo na vida é necessário cuidado e as plantas medicinais, assim como a medicação natural, também não devem ser utilizadas de qualquer maneira até porque há pessoas em que o organismo não suporta determinadas plantas, assim como há pessoas que não suportam determinados alimentos.  Por isso, na dúvida, o melhor é informar-se e/ou procurar um profissional qualificado para poder ter um acompanhamento sério e seguro que favoreça a cura e não, uma situação ainda mais crítica e/ou complicada para o organismo. Tomar uma tisana de camomila com limão e mel para uma gripe ou um resfriado é bem diferente de um tratamento para certas doenças, que merecem mais cuidado e por isso, maior atenção! E essa também foi uma das razões que me fez procurar uma naturopata especializada na Alimentação e Medicina de Hildegarda de Bingen (pois eu não me vejo cuidar disso sozinha.)4 

Como já expliquei anteriormente, esse foi um longo processo, porém, rico de experiências e aprendizado. Como escolhi um tratamento tendo por base a Alimentação e a Medicina Hildegardiana,  muitos dos remédios deveriam ser preparados por mim, como, por exemplo, a tisana de erva-doce (após as refeições) e o elixir de língua-cervina (para o bom funcionamento da tireoide). Outros remédios, complementos alimentares e vitaminas, adquiri em farmácias especializadas.

Enfim, até agora, tudo o que relatei aqui, referiu-se principalmente ao aspecto físico pois o hipotireoidismo mexe muito com nosso emocional, deixando a pessoa desanimada e um tanto «deprê».5 Esse desânimo, além de vir do próprio hipotireoidismo, também deve-se ao fato que, sem ter energia para ser produtiva o suficiente para dar conta de todos os afazeres e responsabilidades cotidianas, a pessoa "faz tudo pela metade" e isso, à longo prazo, acaba por desanimar cada vez mais...

No meu caso,  pra ser sincera, "fazer pela metade" já era fazer muito! Para mim, haviam dias em que meu rendimento era praticamente nulo mas meu mental funcionava bem, ou seja, eu tinha consciência de tudo o que deveria e precisava fazer (meu trabalho, família, afazeres em geral etc) mas não tinha forças pra nada. E isso é algo difícil de viver pois (ao menos para mim)  havia uma cobrança interior que não aceitava o meu baixo rendimento, além de uma outra cobrança que exigia que eu fizesse "custe-o-que-custar"!

Para sair disso, o jeito é aprender à lidar com a situação, viver um dia de cada vez, orar pedindo ajuda à Deus e procurar entender o que esta situação pode te trazer de experiência, de sabedoria e de pontos positivos aplicáveis em sua vida.  No meu caso,  foi aprender à ter paciência comigo mesmo e aceitar a realidade, ou seja, a verdade de como as coisas se apresentavam naquele momento. Então, eu precisava de paciência para poder permitir que o tempo e meu organismo trabalhassem o processo de cura (claro, se eu trabalhasse à meu favor).

Não foi fácil, mas foi um grande aprendizado! Precisei procurar meu centro e entender o meu ritmo e sobretudo, precisei aprender à aceitar aquele ritmo que meu corpo tinha naquele momento e manter a esperança de, um outro ritmo, mais dinâmico retornaria... Sobretudo, precisei parar de exigir do meu corpo o ritmo do mundo (que exige que sejamos rápidos, imediatos e muitas vezes, automáticos) e aprendi à ter compaixão por mim mesma.

Esse processo interior é muito importante no caminho para o restabelecimento da saude e sua cura. Além disso, ele também faz parte dos ensinamentos de Santa Hildegarda que, já no século XII preconizava firmemente que a doença e a alma deveriam ser tratadas juntas para que uma cura verdadeira, caso contrário, a doença poderia sempre retornar... E preciso entender o vício (a doença) para chegar até a virtude (a cura). Para Hildegarda, o a doença se instalava no corpo quando algum vício instalava-se na alma e por essa razao, esse confronto com o vício e sua dura realidade era algo que Hildegarda via de maneira positiva pois para ela, era o processo da cura.

hipotireoidismo possui diversos sintomas e graças à Deus, eu não os tive todos mas há também um outro sintoma muito desagradável: o esquecimento. Em alguns casos, a pessoa tem surtos de esquecimento mais ou menos frequentes e que, junto com o cansaço, o sono constante, o desânimo , a falta de energia contribui muito para a pessoa - principalmente se ela não tem apoio ou compreensão familiar – sentir-se pior do que já está.  Esses sinais, se não forem logo identificados, podem fazer  com que aquele(a) que sofre de hipotireoidismo passe – diante da família e da sociedade -  por alguém preguiçoso ou que não quer saber de nada na vida à não ser dormir. Por incrível que pareça, essa é uma das primeiras (se não for a maior) das reclamações daqueles que sofrem de hipotireoidismo pois muitas vezes, a dor emocional/psíquica é ainda muito mais dura do que a dor física.

Por essa razões, fica aqui um alerta para você que pode estar lendo este artigo e que pense ser uma pessoa preguiçosa, sem interesse pela vida e que só quer saber de dormir ou então, conhece alguém neste caso. Antes de tudo, procure um bom especialista e verfique se sua tiróide está bem antes de julgar-se ou julgar o outro (o que é algo que nunca deve ser feito) ou tomar conclusões precipitadas por conta das aparências. Na duvida, informe-se melhor sobre o hipotireoidismo ou ainda, o hipertireoidismo e/ou procure ajuda médica.

E hoje  

Como vai minha tireoide e minha saúde ?

De minha parte, eu sinto-me muito melhor; estou sempre acompanhando o funcionamento de minha tireoide com exames regulares acompanhados tanto por um especialista como pela minha naturopata.

Porém…

 …a tireoide é uma glândula sensível e neste último inverno, eu peguei uma traqueíte que me fez tossir tanto que afetou o bom funcionamento da minha tireoide. Eu logo percebi que havia algo errado devido ao cansaço que sentia ao acordar bem cedo, pela manhã. Mas como hoje eu estou mais "esperta" com os sintomas, já a estou tratando e também cuidando de reforçar a imunidade de meu corpo (principalmente para evitar de ficar doente nos invernos visto aqui na França é bem mais frio do que no Brasil e é um período onde as pessoas ficam doentes facilmente).

Desta vez, porém, sinto-me com mais energia para poder vir aqui e escrever com mais regularidade, o que era impossível no ano passado. E para mim (e espero para vocês também ) isso é algo muito bom!

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NOTAS:

1. O hipotireoidismo é uma disfunção na tireoide (glândula que regula importantes órgãos do organismo), que se caracteriza pela queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). É mais comum em mulheres, mas pode acometer qualquer pessoa, independente de gênero ou idade, até mesmo recém-nascidos - o chamado hipotireoidismo congênito. Se o hipotireoidismo não for corretamente tratado, pode acarretar redução da performance física e mental do adulto, além de elevar os níveis de colesterol, que aumentam as chances de problemas cardíacos. Não se deve confundir hipotireoidismo com hipertireoidismo, pois as disfunções são opostas: enquanto no "hipo" existe diminuição da produção de hormônios; no "hiper", há o aumento.

2.hipotireoidismo possui diversos sintomas mas o cansaço – em diversos níveis – é o mais comum deles. os demais sintomas são: desânimo total, falta de enrgia, depressão, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, unhas quebradiças, ganho de peso e aumento de colesterol no sangue;

3. O remédio utilizado aqui na França – Levothyrox – coloca a tiróide em coma e fornece os hormônios que o organismo precisa para funcionar normalmente. A tiróide não trabalha mais e assim sendo, visto que o corpo precisa desses hormônios para funcionar perfeitamente, o indíviduo deve tomar esse remédio regularmente (até que a tiróide volte à funcionar, o que pode acontecer mas é raro ou tomar este remédio a vida inteira, o que acontece na maioria dos casos). Essa foi a razão principal que me fez tomar a decisão de buscar por um tratamento alternativo. Á saber: O tratamento alopático do hipotireoidismo é feito com o uso diário de levotiroxina, na quantidade prescrita pelo médico. E os comprimidos são em microgramas, variando de 25 a 200, e não em miligramas como a maioria dos medicamentos. Por isso, a levotiroxina não deve ser manipulada, pois há chance de erro de dosagem e biodisponibilidade;

4. Embora eu estude a Alimentação e Medicina de Hildegarda de Bingen, eu não sou nem médica e nem naturopata. Eu sou arteterapeuta e também trabalho com Artes. Além disso, eu considero importante procurar um profissional pois ele também terá o distanciamento necessário (sobretudo das emoções) para dar um parecer mais neutro e equilibrado sobre o que está acontecendo conosco, seja no plano físico ou emocional-psíquico;

5. Em geral, todas as doenças mexem mais ou menos com o emocional das pessoas e é por isso que é dito com frequência «um bom mental é 50% da cura» mas no caso do hipotiroidismo, o aspecto da depressão e da perda de vontade e energia para fazer o que quer que seja, chega também à ser um sintoma.

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