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O mel é um alimento, geralmente encontrado em estado líquido viscoso e açucarado, que é produzido pelas abelhas (em em alguns casos, mais raros, marimbondos1) à partir do néctar recolhido de flores e processado pelas enzimas digestivas desses insetos, sendo armazenado em favos em suas colméias para servir-lhes de alimento.

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O mel sempre foi utilizado como alimento pelo homem, obtido inicialmente de forma extrativa e, muitas vezes, de maneira danosa às colmeias. Com o passar dos séculos, o homem aprendeu a capturar enxames e instalá-los em "colméias artificiais". Por meio do desenvolvimento e aprimoramento das técnicas de manejo, conseguiu aumentar a produção de mel e extraí-lo sem mais danificar a colméia.

Com a "domesticação" das abelhas para a produção de mel, temos então o início da apicultura. Atualmente, além do mel, podemos obter diversos produtos como o pólen apícola, a geléia real2, a apitoxina3 e a cera4. Além da produção e comercialização de rainhas e em alguns casos de enxames e crias.

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O mel é o único produto doce que contém proteínas e diversos sais minerais e vitaminas essenciais à nossa saúde. Além do alto valor energético, possui conhecidas propriedades medicinais, sendo um alimento de reconhecida ação antibacteriana.

Juntamente com o mel, as abelhas produzem outros produtos importantes, já citados acima, assim como o própolis5.

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Hildegarda de Bingen recomenda o mel "cozido" para as pessoas doentes ou muito magras e que, querem ou precisam engordar:
"Para aquele que está gordo, o mel provoca humores fétidos se consumido frequentemente. Mas aquele que é magro e seco, nada sofrerá se tomar o mel aquecido (Mel depuratum)."6
Porém, Hildegarda desaconselha o consumo de favos de mel:
"Mas se o mel for consumido junto com o favo, ele 'acordará' a bílis negra que está adormecida no homem e o fará sofrer tanto, que lhe fará crescer um grande peso interior (depressão) e a melancolia."7

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Notas:
1. Os marimbondos são vespas das famílias Vespidae, PompilidaeSphecidae. Todas as vespas fazem parte do filo Arthropoda, assim como as abelhas, e são da ordem Hymenoptera e por serem muito parecidas, muitas pessoas realmente acreditam que todas as vespas produzem mel, o que não condiz com a realidade. Na verdade, apenas algumas espécies de vespa produzem mel e este mel, que é um pouco mais escuro do que o produzido pelas abelhas não é consumido pelos seres humanos, pois bem diferente, este tem um sabor forte e amargo e é utilizado somente para o próprio consumo desses insetos;
2. Geléia Real: A geléia real é a secreção produzida pelas glândulas hipofaríngeas das jovens abelhas operárias, durante um breve período de suas vidas (dos quatro aos quinze dias). Este alimento é empregado pelas abelhas para alimentar a abelha-rainha durante toda a sua vida, suas larvas por 3 dias aproximadamente e também os zangões no período inicial de suas vidas. As indicações do uso da geléia real foram descritas assim: “é um estimulante biológico com ação energética e regeneradora do organismo." Contém notáveis quantidades de proteínas, lipídeos, carboidratos, vitaminas, hormônios, enzimas, substâncias minerais, fatores vitais específicos, substancias biocatalizadoras nos processos de regeneração das células, desenvolvendo uma importante ação fisiológica. Também tem um efeito antioxidante. Segundo pesquisas da Associação Paulista de Apicultores – APACAME, ao se nutrir com a Geléia Real nota-se: a eliminação do cansaço físico e mental, normalização do apetite, ativação das funções cerebrais;
3. Apitoxina: É o veneno encontrado nos ferrões das abelhas do gênero Apis que tem como função afastar predadores dos mais variados tipos, protegendo assim a colônia. O veneno é produzido no interior do abdômen das abelhas operárias e é descrita como uma substância de PH ácido, incolor, transparente e com um forte odor que se assemelha ao do mel. A apiterapia, método de medicina natural, utiliza-se de compostos derivados das abelhas para fins terapêuticos, como, por exemplo, a apitoxina;
4. Cera: É uma substância produzida pelas glândulas cerígenas das operárias. Para produzi-la, as operárias das abelhas melíferas convertem o açúcar consumido sob forma de mel, num processo de baixa eficiência – cerca de 8 kg de mel precisam ser consumidos para a produção de 1 kg de cera. Ela serve para construir os favos e, quando misturada à própolis, se torna uma substância ideal para vedar algumas partes da colmeia. A cera muito maleável e utilizada para laminação de cera alveolada e utilizada para determinar a posição em que as abelhas deverão fundar os favos no interior da colmeia. É utilizada na fabricação de medicamentos, cosméticos, depilatórios  etc. No uso medicinal tradicional, quando mascada pura, destrói o tártaro dentário e depósitos de nicotina. Mascada com mel purifica as vias nasofaringeas e é muito eficiente nos casos de sinusite e febre dos fenos;
5. Própolis: É uma substância resinosa obtida pelas abelhas através da colheita de resinas da flora (pasto apícola) da região, e alteradas pela ação das enzimas contidas em sua saliva. A cor, sabor e o aroma da própolis variam de acordo com sua origem botânica. A palavra "propolis" vem do grego: ["pro"=em favor de] + ["polis"=cidade], isto é, para o bem, em defesa da cidade, no caso, a colmeia. Os gregos chamavam própolis às portas de uma cidade, voz tomada pelo prefixo ‘pro-’ e por ‘polis’ (cidade). Tempos depois, Plínio empregou esta palavra em latim para dar nome à cera – extraída da polpa das árvores – com a qual as abelhas recobrem a entrada de suas colmeias a fim de protegê-las contra fungos e bactérias. As propriedades antibióticas e fungicidas desta substância, que em nossa língua se chama própole, eram conhecidas desde a mais remota antiguidade pelos sacerdotes egípcios e pelos médicos gregos e romanos, assim como por algumas culturas sul-americanas. Hoje a própolis é utilizada com maior freqüência na prevenção e tratamento de feridas e infecções da via oral, também como antimicótico e cicatrizante, muitas vezes usada como spray. Estudos mais recentes indicam eficiente ação de alguns de seus compostos ativos com ação imunoestimulante e antitumoral. A diferença entre os tipos de própolis está vinculada à sua origem botânica e à espécie de abelha que a produziu. própolis verde do Brasil está associada a planta Baccharis dracunculifolia, conhecida também como alecrim-do-campo, onde é nativo. própolis vermelha do Brasil está associada as folhas e flores do cajueiro que serve de alimento para as abelhas africanas. Possui propriedades antioxidante, antibiótica e anti-inflamatória;
6 e 7: Traduzido livremente do francês: WIGHARD Sthrelow, L'Art de Guérir par l'Alimentation selon Hildegarde de Bingen, Ed. François-Xavier de Guibert, 2009, page 147.
Fontes:
- WIGHARD Sthrelow, L'Art de Guérir par l'Alimentation selon Hildegarde de Bingen, Ed. François-Xavier de Guibert, 2009, page 147;
Vale do mel. «Importância da Geléia Real». valedomel.com.br. Consultado em 23 de abril de 2019;
STAHLKE, Edwalda V. R. S. (2013). APITHERAPY TECHNIQUE HAS NO RECOGNIZED USE. Disponível em:  23 de abril de 2019:
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 SOBRE A IMPORTÂNCIA DE PROTEGERMOS AS ABELHAS 

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As abelhas cumprem um papel infinitamente mais relevante do que apenas produzir mel, geléia real, cera, própolis etc. Elas são os melhores e mais eficientes agentes polinizadores da natureza, responsáveis pela reprodução e perpetuação de milhares de espécies vegetais, produzindo alimentos, conservando o meio ambiente e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas.

Também poucos sabem que existem no mundo mais de 20 mil espécies de abelhas. Só no Brasil são mais de 3 mil espécies, a maioria de abelhas nativas sem ferrão.

Em meio a todo este rico, mas desconhecido universo, nos últimos anos um problema pauta a apicultura em todo o mundo: o desaparecimento e a morte massiva das abelhas. De proporções expressivas – só nos EUA mais de 1/3 dos enxames têm sido perdidos todos os anos – o Brasil e a América Latina começam a se mobilizar frente aos diversos relatos de mortalidade de abelhas, de causas ainda controversas.

Muitas são as causas da morte de abelhas: a destruição ignorante das colmeias, o desmatamento, a utilização demaziada de pesticidas, a contaminação e envenenamento do ambiente natural das abelhas e ainda,  os ataques da vespa velutina, uma espécie predadora que veio da Ásia, e já entrou na Europa e  vem a espalhar-se rapidamente pelo território, dizimando as colmeias. Estas vespas ficam em vigia, estacionadas sobre as colmeias. São quatro ou cinco, às vezes dez. Permanecem horas a fio, no ar, à espera. Revezam-se se estiverem cansadas. Assim que uma abelha arrisca a saída, uma velutina ataca-a, perseguindo-a até a prender nas patas e com suas mandíbulas fortes,  decapita a presa. Em seguida, suga a massa interior do tórax da abelha e leva-a para o ninho, para alimentar a criação. Umas horas depois, volta à vigia. Diante dessa situação, as abelhas ficam com duas infelizes alternativas: ou largam da colônia para um vôo suicida ou esperam a morte dentro da colônia, sofrendo a invasão dessas vespas, até matarem todas as abelhas.

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Sem polinização, não há legumes nem frutos. O risco de uma crise alimentar é real. Procure você também fazer a sua parte na proteção das abelhas. Se elas desaparecerem, são milhares de vidas vegetais e animais que partirão junto com elas e a Natureza e mesmo o ciclo de vida como conhecemos hoje, se alterará completamente. Sejamos conscientes!

"Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”  Albert Einstein (1879/1955) 

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