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"É uma regra de bom senso em nutrir-se do que é produzido no seu próprio solo, ou ainda, na proximidade. A nutrição que foi desenraizada, ela os faz beneficiar-se de influxos que não correspondem ao que vocês são, no solo no qual vocês mesmos estão." Hildegarda de Bingen

Há um grande movimento mundial de conscientização sobre a importância de alimentar-se localmente, ou seja, alimentar-se daquilo que é cultivado e produzido próximo de onde vivemos e habitamos.

Esse movimento vem expandindo-se cada vez mais pois ele responde de maneira positiva à várias questões atuais sociais e éticas em relação à alimentação, seu cultivo e sua produtividade bem como a qualidade do alimento com o qual nos alimentamos e também alimentamos nossas famílias e as pessoas que amamos. E  tudo isso em perfeita harmonia e respeito com a Natureza, enfim, com o nosso planeta!

Comer o alimento que é produzido perto de nós é ir ao encontro dos pequenos produtores que muitas vezes, ainda guardam um contato ancestral com a terra e que é inexistente nas grandes produções agrícolas e pecuárias que funcionam como grandes empresas onde o alimento perde completamente seu valor existencial e passa à ser "mais um"! Podemos falar o mesmo dos funcionários que trabalham nessas empresas, algumas vezes, em condições deploráveis. Que tipo de alimento vamos ingerir sabendo das condições e circunstâncias como foi produzido?

Ao buscarmos um alimento produzido perto de nós, nos alimentamos dessa ancestralidade que ele carrega pela maneira como foi cultivado e contribuímos com o trabalho do pequeno produtor que muitas vezes, é explorado pelo atual mercado consumista e tem dificuldades em viver honestamente de seu trabalho pois vê-se obrigado à vender seus produtos por valores miseráveis para que poder permanecer num mercado de trabalho  onde,  no final, sempre saí perdendo.

O encontro com o produtor ou com aquele que vende o alimento do qual, de alguma maneira, tenha participado de sua existência, nos traz o contato humano que anda um tanto perdido nessa atualidade louca e moderna que vivemos hoje! Basta ver a diferença de ir ao mercado e ao supermercado fazer compras: por vezes, vemos feirantes que constituem uma família inteira à trabalhar juntos e vender o produto pelo qual trabalharam tanto! No supermercado, não ha familias mas prateleiras é frutas bem arrumadinhas segundo o plano de marketing do mês.

A realidade cordial de "bom dia", "Tudo Bem?", "obrigado(a)", "até logo!" vem sendo substituída pela frieza da compra de frutas e legumes em ambientes refrigerados dentro de supermercados e centros comerciais fechados onde basta pegar a fruta ou o legume, pesar, pagar e sair sem mesmo precisar dizer um "oi" ou "dar um sorriso" à quem quer que seja. Certamente esse alimento está sem viriditas e sendo assim, como ele poderá fornecer as forças curativas necessárias para o organismo?

Nutrir-se de seu próprio solo é nutrir-se da mesma energia de seu corpo que encontra-se fortemente ancrada na terra que te carrega, que te acompanha e que traz suas origens ou força interior.

E além de tudo isso, buscar o alimento que é plantado, cultivado e colhido perto de nós nos aproxima do rítmo das estações do ano que nos ofertam, cada uma à sua maneira, os frutos de seu labor. Enfim, voltamos à um rítmo biológico e espiritual mais próximos de nossa verdadeira essência; o que nos permite restaurar corpo e alma e desta maneira, ter viriditas o suficiente para produzirmos, vivermos na alegria e com saúde, independente dos obstáculos e das lágrimas que a vida nos traz de vez em quando ou de vez em sempre.

Nutrir-se de seu próprio solo é um gesto simples e que faz uma grande diferença na vida daquele que o faz, na vida daqueles que o acompanham, no ambiente onde habita e consequentemente, na vida do próprio planeta.

Hildegarda de Bingen, consciente da importância desse gesto, nos deixou esse sábio conselho que, doze séculos depois, começa à ser escutado e praticado por cada vez mais de pessoas! Sempre é tempo para grandes mudanças!

Quando uma pessoa muda para melhor, aquelas que estão ao seu lado, não terão outra opção a não ser mudarem também.

Hildegarda nos ensina aqui que podemos começar a mudar o mundo com os alimentos que colocamos em nosso prato e com um olhar e sentimento diferentes daquele que nossa sociedade de consumo insiste em (literalmente) "nos enfiar goela abaixo". 

São alimentos  produzidos e amadurecidos à força, sem cor, sem sabor, sem Amor. 

E, embora tudo seja feito para nos alienar; nós ainda podemos dizer SIM ou Não! Eu, você, todo mundo!

Finalmente, é você que detém o poder de dizer SIM ou NÃO.

E então? Sabendo de tudo isso, o que você diz?

Nota: Na França, a Association Colibri (Associação Beija-Flor)  é muito engajada nesse movimento de conscientização sobre comprar e produzir localmente e privilegiar os alimentos locais, orgânicos e da própria estação ao invés de buscar alimentos vindos de cada vez mais longe, caros e que exigem um grande consumo de energia ou combustível devido à distância do local de onde é produzido para o local onde, finalmente, será comercializado. 

Conheça a associação e leia mais (em francês) sobre essa ideia aqui: https://www.colibris-lemouvement.org/passer-a-laction/agir-quotidien/manger-local-et-saison

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