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"O alho-poró cru é tão perigoso quanto uma planta venenosa pois ele coloca o sangue e os humores do organismo ao contrário, impedindo a boa regeneração do sangue e a purificação dos humores pútridos." Hildegarda de Bingen

Com termos mais científicos e modernos, o Dr Wighard Strehlow1 confirma o que Hildegarda disse há séculos atrás sobre o alho-poró : "Devido à sua forte concentração de componentes sulfurados, o alho-poró (ou alho-francês) tende à ativar as infecções favorisando a multiplicação de glóbulos-brancos. Aconselhei meus pacientes mais céticos à pararem de comer o alho-poró durante 1 mês e, em seguida, à tomarem uma sopa de alho-poró todos os dias. Após esta experiência, meus pacientes pararam de comer o alho-poró por si-mesmos a fim de evitar as crises dolorosas que provocavam.»

No entanto, se você for uma dessas pessoas que, mesmo sabendo de tudo isso, ainda sente uma certa resistência em deixar de comer o alho-poró, Hildegarda aconselha à prepará-lo diferentemente:

"Se você deseja, apesar de tudo, ainda continuar à comer o alho-poró, deixe-o macerar toda uma noite dentro do vinho com sal ou no vinagre de maneira que todas as suas forças negativas desapareçam. Esta é a única maneira que um indíviduo em boa saúde pode comê-lo mas ainda é preferível comê-lo cru que cozido ; quanto ao indíviduo doente, ele não deve comer nem cru, nem cozido pois seu organismo não está bem irrigado." Hildegarda de Bingen

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Nota do blog: Hildegarda de Bingen viveu toda a sua vida na Alemanha. A maioria dos alimentos que ela conhecia eram (e ainda o são) conhecidos pela maioria dos europeus, principalmente, dos alemães. Alguns alimentos não aparecerão em sua culinária porque, provavelmente, ela ainda não os conhecia. Por exemplo: o arroz, o milho, o marácuja, o abacaxi e a maioria de frutos tropicais ou ainda certas especiarias como o curry, o curcuma etc eram desconhecidos de Hildegarda. Porém, há 4 alimentos que Hildegarda considerava como «Venenos na Cozinha»2. Eles são: a ameixa, o alho-poró, o morango e o pêssego. Em geral, cada tradição/medicina culinária tem uma razão para incluir ou excluir determinados alimentos. No caso da Alimentação e Medicina Hildergadiana, a exclusão desses alimentos têm fundamento com o clima e a vida local, além de suas subtilidades. Particularmente, eu não tenho nenhuma alergia mas aqui na Europa, há um grande número de casos de pessoas alérgicas que sofrem principalmente durante a Primavera, pois esta é a estação onde há um grande aumento de pólen no ar por causa da eclosão das flores (mas essas alergias podem aparecer durante o ano todo, diminuindo um pouco mais no Inverno – cada caso é um caso!). Além disso, reparei que a maioria dessas pessoas alérgicas evitam certos alimentos e adivinhe! os quatro alimentos citados acima sempre fazem parte dessa lista, sendo o pêssego o mais temido! Contudo, eu não saberia dizer se esses mesmos alimentos seriam considerados nocivos por Hildegarda em um outro clima, em um outro país, como o Brasil, por exemplo (mas tenho a absoluta certeza de que Hildegarda sabia bem o que escrevia). Tenho uma amiga brasileira que mora na Alemanha e adora pêssegos, mas ela só come pêssegos no Brasil. Ela desenvolveu diversas alergias aqui (coisa que ela nunca teve no Brasil) e está terminantemente proibida de comer pêssegos, principalmente, o pêssego selvagem (pois corre até o risco de ter uma parada respiratória!). Nem preciso dizer que, no caso dela, a Primavera é um momento muito difícil do ano por causa de suas alergias! No meu caso, eu moro numa região onde as pessoas tomam muito cuidado com o «champignon microscópico». Eu também não conhecia isso antes de vir morar aqui (França) mas descobri rapidamente que isto é um problema real, principalmente para as mulheres. E por conta disso, embora eu não acredite que as pessoas deixem de comer o morango por causa desses problemas com fungus, as pessoas são informadas à respeito do cuidado que devem ter com a consomação exagerada de morangos. Conheci algumas pessoas que abandonaram os morangos e passaram à comer framboesas para poderem manter uma boa saúde. Isto tudo me fez refletir que Hildegarda (em pleno século XII) já conhecia os problemas que esses alimentos podiam causar e pedia para que eles fossem ‘não consumidos’ ou ao menos, evitados o máximo possívelDisponho esse conhecimento aqui neste blog - os «Venenos na Cozinha», entre outros, para que você - leitor - conheça este princípio que faz tanto parte da Culinária/Alimentação como da Medicina de Hildegarda de Bingen. Contudo, cabe à cada um o discernimento de segui-lo ou não.

Notas:

1. Dr. Wighard Strehlow exerce a Medicina Hildegardeana na "Casa da Cura" (Maison de Cure) no Lago de Constança, na Alemanha. Fiel representante da medicina de Hildegarda pelo mundo, o Dr. Wighard Strehlow escreveu vários livros sobre a alimentação natural e a aplicação da medicina e da terapia de Hildegarda de Bingen. Posteriormente, com a divulgação desse trabalho, muitos outros médicos abraçaram esta medicina mais próxima da natureza, da espiritualidade e de um modo de vida são e em harmonia com o mundo em que vivemos.

Saiba mais sobre a agenda do Dr Wighard Strelow aqui:

 http://www.st-hildegard.com/de/organisation/dr-wighard-strehlow.html

2. Traduzido livremente do francês «poisons de la cuisine».

Fonte: GUIBERT, François-Xavier (Dr Wighard Strehlow) - L'Art de Guérir par l'Alimentation selon Hildegarda de Bingen.

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